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domingo, 4 de novembro de 2012

"A Essência da Lâmina", Filipe Faria


Título: A Essência da Lâmina;

Autor: Filipe Faria;

Colecção: Crónicas de Allarya - Vol. IV;

Nº de páginas: 480;

Preço: 15€.








Sinopse:

Pearnon, o Escriba, continua a contar a história de um mundo que um dia foi seu, ao longo de incontáveis e conturbadas Eras desde a sua criação. No livro anterior, a dolorosa e sangrenta demanda que levou Aewyre Thoryn e os seus companheiros através de Allaryia, saldou-se numa pesada derrota, apesar de terem conseguido escorraçar os exércitos de Asmodeon, pois O Flagelo regressou das sombras. Agora que o pai de Aewyre morreu para salvar o próprio filho, este parte para a Cidadela da Lâmina, um inquietante local de segredos ocultos. O jovem príncipe terá de aprender a dominar a Essência da Lâmina, uma poderosa energia marcial, que partilha com Kror. Este é o quarto volume das Crónicas de Allaryia, de Filipe Faria, um jovem e promissor pioneiro da high fantasyportuguesa.

Opinião:

Adorei, talvez mais do que aos outros! Este livro é uma espécie de transição da "introdução", composta pelos 3 primeiros livros, e a "conclusão", ou seja, depois do (re)surgimento d' O Flagelo e deste dar início aos seus planos para conquistar toda Allarya. 
Mais uma vez, aqui a história dos vários personagens é-nos apresentada em cada capítulo, de forma separada, dado que todos seguiram caminhos diferentes. 

Quenestil e Slayra continuam a ser, sem dúvida, os meus personagens favoritos. Apesar de todas as discussões que têm e mal - entendidos, continuo a adorar a relação e as personalidades dos dois. 
Finalmente, alguma evolução na relação de Lhiannah e Aewyre! Mal posso esperar por ver mais no próximo volume! Relativamente a este, penso que, tendo em conta o ponto em que este ficou, ainda vai ter muito que desenvolver antes da acção propriamente dita. 
Começa-se a notar um maior desenvolvimento a nível politico, iniciado no volume anterior, quando os companheiros se vêem em apuros em Alyun. 
Algumas surpresas, tanto agradáveis como desagradáveis, como a derradeira confirmação da morte de Babaki e o renascimento de Tanath que vai levantar algumas dúvidas entre Slayra e Quenestil. 
Bem, para não desvendar mais do que devo, quero só acrescentar que é uma saga de que estou a gostar imenso, facilmente comparável a Eragon e que me está a mostrar um mundo novo cada vez mais complexo!


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"Marés Negras", Filipe Faria

vol3



Títuo: Marés Negras;
Autor: Filipe Faria;
Nº de páginas: 551







Sinopse:

Reencontramos os companheiros na cidade de Val-Oryth em Tanarch, a um passo do seu destino último: Asmodeon. Aí, Aewyre espera poder por fim descortinar o destino de seu pai Aezrel, o desaparecido campeão de Allaryia. O jovem príncipe e os seus díspares companheiros aprofundaram entretanto os laços de amizade que os unem, mas não sem duros sacrifícios, dos quais resultaram feridas profundas que dificilmente sararão. Velhos inimigos regressam para atormentar o grupo, e nas sombras da própria Val-Oryth residem perigosos adversários que os companheiros desconhecem e que os submeterão a rudes provações. Não muito longe de Tanarch, as Marés Negras sobem uma vez mais, trazendo consigo memórias de um passado sombrio e pressagiando tempos conturbados para Allaryia e todos os seus habitantes

Opinião:


Mais uma aventura dos nossos 8, agora 7, amigos. 



Neste volume a relação de Aewyre e Lhiannah evolui drasticamente e eles aproximam-se, chegando a um “quase beijo”. No que se refere a este ponto, fiquei satisfeita. Compreendo que o autor não possa jogar todos os seus trunfos de uma vez. Por enquanto, adoro a relação de Quenestil e Slayra e estou ansiosa para ver por que caminho enveredou o autor quanto ao estado de Slayra. Worick revela o seu lado mais sensível aquando da convalescença de Lhiannah e da batalha de Amer-Anoth.



Por outro lado, no volume anterior foi-nos revelado um pouco mais sobre o Flagelo e os Filhos deste. Neste, eles revelam-se por quem são, descortinando até que ponto e quão alto se encontram mesclados e inseridos na sociedade de Tanarch. Pegando nesta, foi engraçado visualizar uma cidade diferente daquela a que estamos habituados na história. Principalmente o pormenor dos pavimentos e das ruas! Aqui, também nos é introduzido, pela primeira vez, o sistema de justiça e da contagem de tempo utilizada pelo autor. Mesmo muito interessante e reforça ainda mais a veia criativa de Filipe Faria. 



Ao aproximarem-se cada vez de Asmodeon e devido a múltiplas circunstâncias que decorrem ao longo das páginas, os companheiros vão parar a Sirulia, mais precisamente à fortaleza de Amer-Anoth. Aqui, conhecem os famosos eahlan e acho que o autor fez um trabalho magnífico no que se refere à descrição desta raça, conseguindo transmitir todos os pormenores subjacentes à mesma, desde a sua graciosidade à significância da sua língua.



Continuação de batalhas espectaculares em que sustemos a respiração enquanto lemos e, quando acabam, damos por nós a arfar juntamente com as personagens o que, para mim, é deliciosa e só mostra a capacidade descritiva do autor. Contudo, a sua capacidade de síntese fica aquém do esperado e, de novo, traduz-se em descrições incrivelmente longas, com todos os movimentos de todas as personagens minuciosamente relatados. Por um lado é bom porque conseguimos visualizar perfeitamente as cenas, mas, por outro lado, e principalmente quando se trata de batalhas e-nor-mes, dei por mim a ansiar desesperadamente por um desfecho.



Por último, penso que, como acontece em muitas sagas, mais cedo ou mais tarde (p.ex.: Harry Potter, Cíclo da Herança – Sagas que eu simplesmente adorei), que o autor juntou muita informação no final e ficou tudo muito concentrado: os revezes da batalha, Seltor, Aezrel, o moorul, o azigoth, Hazabel e Tannath. Aconteceu tudo tão rápido que tive que voltar atrás e reler para me certificar que tinha interiorizado tudo.



De resto, mais um volume dos sete que compõem esta saga e que me deixou em pulgas para ler o próximo! Mal posso esperar para ver o que vai acontecer ao grupo!!

sábado, 30 de junho de 2012

"Os Filhos do Flagelo", Filipe Faria



Título: Os Filhos do Flagelo;

Autor: Filipe Faria;

Nº de páginas: 454.







Sinopse: 


Aewrye e os seus companheiros tentam chegar a Asmodeon e descobrir o mistério do desaparecimento de Aezrel Thoryn, mas muitos obstáculos têm de enfrentar. Separados, os companheiros têm de sobreviver às provações que se lhes depararão: Quenestil e Babaki partiram em busca de Slayra e dos seus captores e o resto do grupo que segue para as inóspitas estepes de Karatai em perseguição de Kror, o enigmático drahreg que partilha com o jovem Thoryn a Essência da Lâmina, um segredo milenar dos guerreiros de Allaryia. Nos obscuros espaços das trevas, o Mal vai estendendo os seus múltiplos e mortíferos tentáculos. Há um perigo oculto do qual as gentes de Allaryia ainda não se aperceberam mas Pearnon, o escriba, pressente-o sem no entanto o poder transmitir.

O primeiro volume foi publicado em Abril deste ano, quando Filipe Faria tinha ainda 19 anos. Considerado como a obra que iniciou o género da High Fantasy em Portugal, está prevista a continuação em mais cinco poderosos volumes sobre este fantástico mundo de Allaryia.


Opinião:

A transição entre histórias é muito rápida e, pessoalmente, quebra um pouco o ritmo de leitura porque estamos completamente embrenhados numa das histórias e, de um capítulo para o outro, muda bruscamente tanto de cenário, como de situação e de personagens.
Nota-se um amadurecimento a nível de escrita, com frases melhor articuladas e adjectivos mais elaborados e melhor empregues.
As partes descritivas foram encurtadas, o que só favoreceu o livro, mas parece-me que menos descrição de cada batalha também não ficaria mal. 
No que se refere à história propriamente dita, gostei mais deste livro do que do primeiro e Quenestil é, definitivamente, a minha personagem favorita. Neste volume, é-nos dada a conhecer Jazurrieh, a cidade dos eahannoir, conseguimos levantar um pouco a cortina sobre o passado de Slayra e de como era a sua vida antes de se juntar ao grupo, conhecemos Tannath, que eu acho que ainda vai ser muito importante mais para a frente. Este último tem uma paixão por Slayra. Tenta lutar contra ela, uma vez que eahannoir não sentem emoções como essa, mas o seu lado eahan acaba sempre por vencer e os sentimento que nutre pela bela eahannoir acabam por condena-lo. 
É-nos introduzido, ainda, o conceito da "Essência da Lâmina", uma força misteriosa que Aewyre partilha com Kror, um drarehg muito diferente dos da sua raça e que transporta dois punhais falantes. Este laço faz com que, para além de se sentirem mutuamente onde quer que estejam, de cada vez que se  vêem, tenham uma vontade quase incontrolável de lutarem. Por muito que o tenham conseguido evitar até aqui, o combate é inevitável e, mais cedo ou mais tarde, um terá que perecer.
A história principal divide-se em duas com a busca de Quenestil e Babaki por Slayra e o seu posterior desenrolar, e a perseguição dos restantes companheiro ao misterioso Kror.
Adorei a história de Quenestil, Slayra e Babaki. Apesar do acontecimento, para mim, totalmente inesperado (e que não que revelarei - ihihih), valeu a pena e, sinceramente, não sei que outro caminho poderia ter o autor seguido. Custou-me muito a ler essa parte, mas sou da opinião que valeu a pena...
A relação do shura com Slayra sofre uma drástica mudança e passam por peripécias que os transformam, se para melhor ou para pior, só o destino o dirá... Um pormenor que eu não sei se considere descontextualizado, descabido ou muito a propósito é a decisão que tomam aquando da sua viagem na jangada do Druida dos mares: fazer um bebé. Ri-me tanto com a reacção de Quenestil a esta proposta de Slayra que ia caindo abaixo do banco onde estava empoleirada (sou só eu que nunca arranjo uma posição ideal para ler?)!
Por outro lado, a relação de Aewyre com Lhiannah também sofre uma mudança radical: de um momento para o outro a arinnir deixa de o odiar visceralmente, fazem as pazes e ela confessa-lhe a razão do seu ódio para com o guerreiro que, a meu ver, era óbvio. Gosto de pensar que o autor não vai enrolar mais esta relação que desde o início se prevê!
Como já disse em cima, mas agora de forma mais sucinta, nota-se uma evolução pessoal de todos os personagens (não tão grande, talvez, em Worick) e, ao conhecermos mais pormenores sobre o seu passado e sobre os seus gostos, criamos uma maior empatia para com todos (pessoalmente, grande parte da minha vai para Quenestil e Slayra!).
Só continuarei a leitura desta saga daqui a dois livros e não estou tão ansiosa por pegar nela como estive do primeiro para o segundo (provavelmente por Quenestil e Slayra já se encontram juntos de novo e de bem um com o outro!), mas fiquei com a curiosidade aguçada no que se refere aos Filhos d'O Flagelo: o que são ao certo, como se manifestarão mais e, mais importante, quem são! À harahan Hazabel, ao seu misterioso mestre e a Baodegoth, o moorul, podemos juntar Linsha, a feiticeira, as outras seitas da Sombra e outros seres que há muito se julgavam desaparecidos. Outro ponto positivo que me dá vontade de continuar a leitura é a evolução e o crescimento a nível da escrita de Filipe. Tenho esperanças que ele lime ainda algumas arestas que, na minha opinião, merecem ser aperfeiçoadas. Isto porque, às vezes, e para ser muito sincera, a minha vontade é saltar partes inteiras que são muito aborrecidas. A receita ideal: mais diálogos, menos descrição! Mas a história em si e a magia para que esta nos leva compensa, de certa forma, esta falha a nível técnico.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

"A Manopla de Karasthan", Filipe Faria



Título: A Manopla de Karasthan;
Autor: Filipe Faria;
Nº de páginas: 526;

Preço: 13,64€.









Resumo:

Na imensidão cósmica existe um mundo, Allaryia, de grandes heróis e vilões infames, de seres de uma beleza indescritível e criaturas maléficas de uma fealdade atroz, nações poderosas e impérios tirânicos. Depois de muitas eras que alternaram entre a paz e a discórdia, Allaryia encontra-se num tempo de aparente tranquilidade, de uma calma inquietante, semelhante ao silêncio que antecede a tempestade. Algures, numa câmara escura, subterrânea, algo se move, tentando libertar-se de anos de cativeiro, algo monstruoso, inumano, sedento de sangue e dor. O povo de Allaryia perdeu o seu campeão – Aezrel Thoryn, provavelmente morto numa batalha contra o Flagelo, a força das trevas, em Asmodeon – e mais do que nunca precisa de protecção. Aewyre Thoryn, o filho mais novo do saudoso rei, pega em Ancalach, a espada do seu pai, decide descobrir o que realmente lhe aconteceu e parte a caminho de Asmodeon. O que o jovem guerreiro não podia prever era que a sua demanda pessoal se iria transformar, à medida que os encontros se vão sucedendo, na demanda de um grupo particularmente singular, que reunirá a mais estranha e inesperada mistura de seres – Allumno, um mago, Lhiannah, a bela princesa arinnir, Worick, um thuragar, Quenestil, um eahan, Babaki, um antroleo, Taislin, um burrik, Slayra, uma eahanna negra e o próprio Aewyre. O ritmo a que se sucedem as aventuras é absolutamente alucinante, a cada passo surgem perigos mais tenebrosos, seres aterradores que esperam, ocultos nas sombras, o melhor momento para atacar e roubar a tão desejada Ancalach… Mas os laços de amizade que unem o grupo estão cada vez mais fortes e, juntos, sentem-se capazes de enfrentar qualquer inimigo.

Opinião:

Um palácio cheio de luxos, servos infindáveis, uma era de paz e toda uma história de reis tornados estátuas de ouro.
Um pai desaparecido misteriosamente, um rei ilegítimo e uma espada outrora lança, imbuída do poder de uma divindade.
Um mago com uma pedra na testa, um príncipe guerreiro, um thuragar veterano com um aperto de ferro, uma bela princesa arinnir com uma personalidade implacável, um burrik ardiloso, um eahan diferente, um antroleo cuja principal batalha é com ele mesmo e uma eahannoir com bom coração.

Estes são os heróis deste fantástico primeiro livro que inicia uma saga de sete.
Quando peguei nele, pensei que seria como muitos outros, com a mesma estrutura literária: primeiros capítulos mais parados, introdutórios; apresentação das personagens; clímax da acção; aproximação do fim. Pois não podia estar mais enganada. Logo nas primeiras três páginas do primeiro capítulo, somos confrontados com uma decisão vital da personagem principal e com uma batalha sangrenta. As apresentações são feitas de uma forma muito leve e o leitor é convidado a descobrir cada uma das personagens ao longo da narrativa. As batalhas seguem-se umas a seguir às outras, quase sem paragens, e os personagens são introduzidas ao longo das mesmas, não deixando grandes margens para conhecimentos, a não ser físicos. Em relação a este último tópico, deixo os meus parabéns ao autor, que consegue fazer-nos visualizar cada característica sem se tornar maçador ou excessivamente longo. Ainda no que se refere às batalhas, estas estão incrivelmente pormenorizadas, descrevendo cada golpe com exactidão. Penso, aqui, que se o autor tivesse cortado um pouco mais a essas descrições, por vezes demasiado exaustivas, introduzisse as relações entre os personagens mais cedo, estas não pareceriam atravancadas nos capítulos finais.
Pegando nas relações mencionadas, por outro lado do apresentado em cima, nota-se o esforço e o cuidado do autor em não as tornar forçadas ou irrealisticamente rápidas. Mais ou menos a meio do livro, começamos a aperceber-nos da evolução entre alguns personagens, nomeadamente, Quenestil e Slayra e Aewyre e Lhiannah. Mais não digo porque a descoberta destas é uma das melhores sensações à medida que vamos avançando na história. 
A batalha de Alyun é um dos pontos de viragem da história. É uma cena muito bem descrita e com episódios surpreendentes como o de Slayra com Ancalach, a evolução de Aewyre com Nabella e o florescer de sentimentos inesperados. Após esta batalha dá-se uma espécie de pausa onde ficamos a conhecer melhor cada um dos companheiros e onde nos apercebemos de pormenores que, provavelmente, de outra forma nunca veríamos, como a perspicácia de Babaki ou a verdadeira natureza de Aewyre que passa de um guerreiro boémio a um verdadeiro filho de reis.
Além da parte da aventura, temos ainda a do mistério, que torna toda a história ainda mais doce. Personagens como Hazabel, uma harahan, são introduzidas e cometem acções que nos deixam na dúvida e que não são explicadas, ainda. Não sabemos nada desta personagem, a não ser que odeia o seu "mestre", outra personagem, por sua vez, que não fazemos ideia quem seja (se bem que podemos desconfiar..).
O título do livro só nos é explicado a partir do "Livro Segundo", quando Aewyre é imbuído da tarefa de recuperar a Manopla de Karasthan, artefacto abençoado pelo deus Gilgethan, que estava a ser transportado para a Larvonia, para lá ser exposto. Mas a procissão perdeu-se nos pântanos de Moorenglade e cabe aos companheiro encontra-la e leva-la ao templo de Gilgethan mais próximo.
Por isto e muito mais, aconselho vivamente a leitura deste livro para quem é amante de universos paralelos, numa época medieval e com cenários bucólicos e muito bem descritos que nos fazem elevar ainda mais a imaginação.
Estou ansiosa por ler os próximos, que já estão na minha lista de aquisições!!